Ouve-se muito falar sobre alimentação anti-inflamatória ultimamente. Listas de alimentos milagres, super-alimentos, cúrcuma em tudo. Mas antes de adicionar qualquer coisa no seu prato, é preciso entender de onde vem a inflamação. E para isso, é necessário voltar ao humoralismo.
O terreno, sempre o terreno
Salmanoff dedicou sua vida ao estudo da microcirculação. Seus trabalhos sobre os 100 mil quilômetros de capilares que irrigam o corpo humano demonstraram que a maioria das doenças crônicas encontra sua origem em um entupimento progressivo do terreno humoral. O mecanismo é bastante simples de compreender quando o decompõe.
Produzimos naturalmente ácidos. A atividade metabólica das células, a produção de energia sob forma de ATP, tudo isso gera íons de hidrogênio que o corpo elimina por duas vias principais: pulmonar e renal. A pele intervém secundariamente. Quando esses emuntórios funcionam corretamente, o pH sanguíneo permanece estável em torno de 7,42. Mas quando a eliminação não acompanha, quando o volume de CO₂ eliminado desacelera, o metabolismo passa para o modo anaeróbio e os ácidos se acumulam: ácido láctico, ácido pirúvico. O sistema tampão assume então o papel, os bicarbonatos vêm neutralizar esses ácidos, mas essa neutralização produz sais. E esses sais circulam pelos seus 100 mil quilômetros de capilares.
Imagine uma aluvião em um grande rio. Ela é carregada por quilômetros antes de se depositar em uma curva, em um braço onde a corrente é menos intensa. É exatamente o que acontece no seu corpo. Os sais se acumulam nas zonas com menor circulação. E é lá que a inflamação crônica se instala, silenciosa, surda, progressiva.
O que Masson nos ensinou sobre a alimentação
Robert Masson era um praticiente excepcional, com mais de trinta anos de recuo clínico. Foi o primeiro naturólogo a alertar contra os desvios dogmáticos do meio higienista. Sua crítica ao excesso de frutas, por exemplo, é fundamental: as frutas não amiláceas trazem quantidades consideráveis de ácidos orgânicos (cítrico, tartárico, málico). Quando as temperaturas caem e o metabolismo de um indivíduo é baixo (mãos frias, trânsito lento, tez pálida), a eliminação desses ácidos perde eficácia. O corpo é então obrigado a recorrer às suas reservas minerais tampões, ou seja, ossos, tendões, dentes, criando uma descalcificação insidiosa.
Não é que as frutas sejam ruins. É que tudo depende de quem as come, quando e em que quantidade. Como recordava Paracelso: “Tudo é veneno, nada é veneno, é a dose que faz o veneno.”
Reconstruir em vez de adicionar
O erro clássico é querer “adicionar anti-inflamatórios naturais” em uma alimentação que permanece fundamentalmente pró-inflamatória. Não funciona. Antes de colocar cúrcuma no seu leite de amêndoa, comece retirando o que mantém a inflamação: os óleos vegetais industriais ricos em ômega-6 (girassol, soja), açúcares refinados, alimentos ultraprocessados, o que Marchesseau chamava de “alimentos anti-específicos” e “desnaturados”. Esse desequilíbrio ômega-6/ômega-3 é aliás um dos mecanismos centrais das regras dolorosas: o excesso de prostaglandinas pró-inflamatórias derivadas do ácido araquidônico.
A qualidade dos alimentos também depende da sua limpeza: um purificador alimentar remove até 90% dos pesticidas de superfície antes mesmo do preparo.
Depois então, reconstruímos. Os peixes gordurosos (sardinha, cavala, arenque) por seu EPA e DHA. Os vegetais verdes por sua clorofila e seus minerais alcalinizantes. Os pequenos frutos vermelhos por suas antocianinas. A cúrcuma, sim, mas associada à pimenta-do-reino e a uma gordura, senão a curcumina passa pelo tubo digestivo sem ser absorvida.
“Se o colesterol é prejudicial, então por que nosso fígado produz 2 gramas por dia, equivalente a 10 ovos?” Robert Masson
Masson sempre fazia as perguntas certas. E essa resume bem a abordagem naturopática: antes de demonizar um nutriente ou sacralizar outro, procure compreender por que seu corpo funciona como funciona. A inflamação não é um erro de programação. É um sinal. Um sinal de que seu terreno reclama atenção. Um terreno entupido também perturba a produção dos neurotransmissores: a serotonina, da qual 95% é fabricada no intestino, é uma das primeiras moléculas a sofrer quando o terreno se degrada.

O que Kousmine adicionaria
Catherine Kousmine dedicou sua carreira a demonstrar o vínculo entre alimentação degradada e doenças crônicas. Seu segundo pilar, a complementação em micronutrientes (começando pelo zinco, tão frequentemente deficitário), não era um luxo adicional. Era o reconhecimento de que nossos solos empobrecidos, nossos modos de cultivo intensivos e nossos processos de transformação não permitem mais que os alimentos cubram todas as nossas necessidades. Particularmente os óleos prensados a frio, ricos em ácidos graxos insaturados, que foram substituídos em nossas cozinhas por óleos refinados, aquecidos, hidrogenados, desprovidos de toda vitalidade. E não são apenas os alimentos que oferecem problema: os utensílios de cozimento em si podem liberar perturbadores endócrinos em cada refeição.
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A alimentação anti-inflamatória não é uma lista de alimentos. É uma filosofia do terreno, aquela que Paul Carton defendia já no início do século XX ao colocar a digestão no centro de toda cura. Limpar primeiro, nutrir depois, com alimentos vivos, frescos, de estação, o mais próximo possível de seu estado natural.
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