Bien-être · · 9 min de leitura · Atualizado em

Seios fibrocísticos: o triângulo tireoide, iodo e estrogênios

Os seios fibrocísticos afetam 60% das mulheres. Descubra a ligação com a tireoide, a deficiência de iodo e o domínio estrogênico.

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François Benavente

Naturopata certificado

Sandrine tem quarenta e um anos e seios que doem quinze dias por mês. Não é um incômodo leve, mas uma dor franca, latejante, que irradia até as axilas e que a impede de dormir de bruços. Os dois seios são “granulosos” (sua palavra) com zonas duras que variam de tamanho conforme o momento do ciclo. Seu ginecologista lhe disse que era “mastose fibrocística benigna”, prescreveu-lhe Progestogel (progesterona em gel local) e aconselhou-a a limitar o café. As dores não diminuíram.

Quando Sandrine veio à consulta, anotei em seu balanço: um TSH de 3,6 mUI/L (“normal” segundo o laboratório, mas funcionalmente elevado), anti-TPO de 95 (um Hashimoto iniciante que ninguém havia procurado), uma razão estradiol/progesterona em dominância estrogênica franca em fase lútea, e uma iodúria de 52 mcg/L (deficiência moderada, a norma OMS sendo superior a 100 mcg/L). Ela bebia quatro cafés por dia.

Sandrine tinha o triângulo perfeito: tireoide desacelerada, deficiência de iodo e dominância estrogênica. Três meses após a correção (parada do café, selênio + mio-inositol para a tireoide, DIM para os estrogênios, suplementação cautelosa de iodo sob vigilância), suas dores mamárias haviam diminuído 70%. Aos seis meses, ela podia novamente dormir de bruços. Seus seios não eram mais “granulosos”. E seu TSH havia caído para 2,1.

O iodo: não apenas para a tireoide

Quando se fala de iodo, pensa-se imediatamente na tireoide. É normal: a tireoide concentra o iodo graças ao simportador sódio-iodo (NIS) para fabricar os hormônios T3 e T4. Mas o NIS não é exclusivo da tireoide. Encontra-se também nas mamas (tecido mamário), ovários, estômago, glândulas salivares e plexo coroide do cérebro. Esses tecidos concentram ativamente o iodo e precisam dele para seu funcionamento normal.

No tecido mamário, o iodo desempenha um papel anti-proliferativo importante. Induz a apoptose (morte programada) de células anormais, inibe a proliferação celular excessiva e reduz a inflamação local. Essas funções são essenciais para manter a arquitetura normal da mama e prevenir a formação de cistos e fibrose.

Quando o iodo é insuficiente (e é insuficiente em 30 a 40% das francesas), as células mamárias proliferam de forma desordenada, os ductos galactóforos se dilatam e se enchem de líquido (cistos), e o tecido conjuntivo sofre fibrose. Esta é a mastopatia fibrocística, que afeta 60% das mulheres em idade fértil e que é considerada pela medicina convencional como uma “variante do normal”.

Curtay, em sua abordagem de nutrição terapêutica, contesta essa banalização: “Dizer que uma condição que afeta 60% das mulheres é normal é confundir frequência com normalidade. A cárie dentária também afeta a maioria da população. Não é normal, ainda assim. A mastopatia fibrocística é o sinal de um desequilíbrio nutricional e hormonal que merece ser corrigido, não banalizado.”

O triângulo mamas-tireoide-estrogênios

A ligação entre mamas fibrocísticas e tireoide é tripla.

O primeiro elo é o iodo. A deficiência de iodo afeta simultaneamente a tireoide (hipotireoidismo) e as mamas (mastopatia fibrocística). Estudos epidemiológicos mostram que países com alto consumo de iodo (Japão, Coreia) têm uma incidência significativamente mais baixa de mastopatia fibrocística e câncer de mama do que países com baixo consumo de iodo (Europa Ocidental). O consumo médio de iodo no Japão é de 5 a 13 mg por dia (principalmente via algas), contra 100 a 150 mcg na França. É 50 a 100 vezes mais.

O segundo elo são os estrogênios. Os estrogênios estimulam a proliferação celular nas mamas (é por isso que as mamas incham na fase pré-menstrual e durante a gravidez). Em dominância estrogênica (excesso de estrogênios em relação à progesterona), esse estímulo é crônico e excessivo, favorecendo a formação de cistos e fibrose. Ora, a dominância estrogênica é frequente em mulheres hipotireoideas: o hipotireoidismo desacelera o metabolismo hepático dos estrogênios, que se acumulam em vez de serem eliminados. E o excesso de estrogênios aumenta a TBG, o que reduz os hormônios tireoideos livres e piora o hipotireoidismo. É um círculo vicioso.

O terceiro elo é a progesterona. A progesterona é o antagonista natural dos estrogênios nas mamas: freia a proliferação celular e favorece a diferenciação. No hipotireoidismo, a produção de progesterona é frequentemente insuficiente (o hipotireoidismo perturba a ovulação e a formação do corpo lúteo). E na perimenopausa, a queda de progesterona precede a queda dos estrogênios por vários anos, criando uma janela de dominância estrogênica que corresponde exatamente ao pico de incidência da mastopatia fibrocística.

O iodo molecular: a pista terapêutica

Três formas de iodo existem: o iodeto de potássio (KI, a forma dos complementos clássicos e do sal iodado), o iodo de Lugol (uma mistura de iodeto e iodo molecular) e o iodo molecular (I2, a forma elementar). Essas três formas não são intercambiáveis.

O iodeto (I-) é captado preferencialmente pela tireoide. O iodo molecular (I2) é captado preferencialmente pelas mamas e pelo estômago. Estudos clínicos mostraram que o iodo molecular na dose de 3 a 6 mg por dia (sob a forma de diiodolipídeo ou solução aquosa) reduz significativamente a dor e a nodularidade mamária em 65 a 74% das mulheres, com um tempo de ação de três a seis meses.

A vantagem do iodo molecular é que age preferencialmente nas mamas sem sobrecarregar a tireoide em iodeto (o que é importante em pacientes Hashimoto onde o excesso de iodeto pode piorar a autoimunidade). Porém, essa forma é difícil de encontrar na França e a suplementação de iodo permanece um tema controverso que requer acompanhamento profissional.

O protocolo na prática

O primeiro passo é parar as metilxantinas. Eliminar completamente café, chá preto, chocolate e refrigerantes de cola por três meses. Muitas vezes é o gesto mais eficaz e rápido (melhora em quatro a seis semanas). Após três meses sem dor, reintroduzir progressivamente para encontrar o limite de tolerância individual.

O segundo passo é a correção da dominância estrogênica. DIM (diindolilmetano) 100 a 200 mg por dia para melhorar o metabolismo hepático dos estrogênios (favorece a via 2-OH protetora). Glucarato de cálcio D 500 mg duas vezes por dia para inibir a beta-glucuronidase intestinal (que reabsorve os estrogênios conjugados). Sementes de linhaça moídas (2 colheres de sopa por dia) por seu efeito anti-estrogênico via lignanos. Suporte hepático (cardo de leite, cataplasma de óleo de rícino) para melhorar a detoxificação dos estrogênios.

O terceiro passo é o suporte tireoidiano. Selênio 200 mcg por dia (cofator da TPO e da deiodinase). Mio-inositol 600 mg por dia (melhora a sensibilidade ao TSH). Zinco 30 mg por dia (cofator da síntese hormonal). Vitamina D 4000 UI por dia (modula a autoimunidade). Balanço tireoidiano completo com acompanhamento a cada três meses.

O quarto passo é a suplementação de iodo (sob vigilância). Começar pelas fontes alimentares: algas (wakame, nori, dulse) duas a três vezes por semana, peixes do mar, frutos do mar. Se a iodúria permanece baixa apesar da alimentação, uma suplementação cautelosa pode ser considerada: 150 a 300 mcg de iodeto de potássio por dia como ponto de partida, com controle da iodúria e dos anticorpos tireoideos em três meses. Qualquer aumento de dose deve ser progressivo e supervisionado.

O quinto passo é o suporte local. Óleo de prímula 1000 a 2000 mg por dia (ácido gama-linolênico, precursor de prostaglandinas anti-inflamatórias PGE1). Vitamina E 400 UI por dia (reduz a sensibilidade mamária aos estrogênios). Aplicação local de óleo de rícino nas mamas (em cataplasma leve, não nos mamilos) para drenagem linfática local.

A ligação com o câncer de mama

A mastopatia fibrocística não é um estado pré-canceroso em si. Porém, certos tipos histológicos (hiperplasia atípica) aumentam moderadamente o risco de câncer de mama. E os fatores que mantêm a mastopatia (dominância estrogênica, deficiência de iodo, hipotireoidismo) são os mesmos que aumentam o risco de câncer de mama.

O estudo ecológico mais impressionante é a comparação Japão/Ocidente. As mulheres japonesas, que consomem 25 a 50 vezes mais iodo do que as ocidentais (principalmente via algas), têm uma incidência de câncer de mama três a quatro vezes mais baixa. Quando mulheres japonesas emigram para os Estados Unidos e adotam uma dieta ocidental pobre em iodo, seu risco de câncer de mama se iguala ao das americanas em uma a duas gerações. Esta observação não prova um elo causal direto, mas é consistente com o papel protetor do iodo no tecido mamário.

Aviso

Qualquer massa mamária nova, dura, fixa, indolor ou que não varia com o ciclo deve ser explorada por um médico (mamografia e/ou ultrassom) ANTES de começar um protocolo naturopático. A mastopatia fibrocística é um diagnóstico de exclusão: é preciso primeiro excluir um câncer.

A suplementação de iodo em pacientes com Hashimoto é um tema delicado. O iodo em excesso pode piorar a autoimunidade tireoidiana aumentando a produção de peróxido de hidrogênio na glândula (o iodo é oxidado pela TPO, e essa reação produz H2O2 que, em excesso, danifica os tireocios). Qualquer suplementação de iodo acima de 150 mcg por dia em uma paciente com Hashimoto deve ser acompanhada de selênio (200 mcg, para suportar a glutationa peroxidase que neutraliza o H2O2) e monitorada por uma dosagem de anticorpos anti-TPO a cada três meses.

Masson, em sua filosofia da alimentação, lembrava que “os nutrientes mais poderosos são também os mais perigosos quando mal utilizados. O iodo cura a tireoide e as mamas em quantidade adequada. As agride em excesso. A dose faz o remédio e o veneno.” É por isso que a abordagem naturopática do iodo é sempre progressiva, medida e acompanhada de cofatores protetores. Sandrine, que tinha simplesmente necessidade de um pouco mais de iodo e um pouco menos de café, pode testemunhar isso.

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Perguntas frequentes

01 Por que os seios estão ligados à tireoide?

Os seios e a tireoide compartilham dois pontos fundamentais em comum. Primeiro, ambos concentram o iodo através do simportador sódio-iodo (NIS), a mesma proteína de transporte. O iodo é essencial para a saúde mamária (regula a proliferação celular e induz a apoptose de células anormais) assim como para a saúde tireoidiana. Segundo, ambos são sensíveis aos estrogênios, que estimulam a proliferação celular nos dois tecidos. Uma deficiência de iodo e um excesso de estrogênios afetam, portanto, simultaneamente a tireoide e os seios.

02 A deficiência de iodo pode causar dor mamária?

Sim. O iodo desempenha um papel anti-proliferativo e anti-inflamatório no tecido mamário. Quando o iodo é insuficiente, as células mamárias proliferam de forma desordenada, formando cistos e tecido fibroso. Estudos clínicos mostram que a suplementação com iodo molecular (I2, forma não iônica) de 3 a 6 mg por dia reduz significativamente a dor e a nodularidade mamária em 65 a 74% das mulheres em 3 a 6 meses.

03 O iodo é seguro em caso de Hashimoto?

A questão é nuançada. O iodeto de potássio (KI) em doses elevadas pode agravar a autoimunidade tireoidiana em pacientes com Hashimoto aumentando a TPO e, portanto, a produção de peróxido de hidrogênio. Por outro lado, o iodo molecular (I2, forma não iônica) é preferencialmente capturado pelos seios (não pela tireoide que prefere iodeto) e poderia ser usado para os seios sem agravar Hashimoto. Este ponto permanece debatido e qualquer suplementação de iodo em um paciente com Hashimoto deve ser supervisionada com monitoramento de anticorpos.

04 O café piora os seios fibrocísticos?

Sim, em muitas mulheres. As metilxantinas contidas no café, chá, chocolate e colas inibem a fosfodiesterase, o que aumenta o AMPc intracelular e estimula a proliferação das células mamárias. Estudos mostram que a eliminação completa de metilxantinas por 2 a 6 meses melhora os sintomas em 60 a 65% das mulheres. Geralmente é o primeiro conselho e o mais eficaz.

05 Quando se preocupar com uma massa na mama?

Os sinais de alerta que requerem consulta urgente são uma massa dura, fixa, indolor e que não varia com o ciclo menstrual (os cistos fibrocísticos são móveis, sensíveis e variam com o ciclo). Uma descarga mamilar sanguinolenta ou acastanhada (fora da amamentação). Uma retração cutânea ou do mamilo. Uma mudança de forma ou tamanho de apenas uma mama. Uma linfadenopatia axilar (gânglio duro sob a axila). Qualquer anomalia deve ser explorada por mamografia e/ou ultrassom mamário.

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