Naturopathie · · 19 min de leitura · Atualizado em

Jejum e monodietas: as ferramentas ancestrais do naturopata

Jejum hídrico, intermitente, monodietas de maçã ou uva: um naturopata te explica quando e como desintoxicar de acordo com sua constituição.

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François Benavente

Naturopata certificado

Em 1911, Paul Carton está morrendo. Tuberculose pulmonar, prognóstico sombrio, a medicina da época nada tinha a lhe oferecer além de repouso e resignação. Carton, que é médico ele mesmo, toma uma decisão que seus colegas julgam suicida: cessa de comer. Cinco dias de jejum hídrico, contra a opinião de todos. Descarregando seu organismo dos resíduos ácidos que o atormentavam, ele se cura. Não uma remissão parcial, não um prazo. Uma cura. Carton viverá até os 71 anos, escreverá uma dúzia de obras fundadoras da medicina naturista francesa, e consagrará o resto de sua vida a ensinar o que essa experiência lhe havia revelado: o corpo sabe se curar, desde que se deixe de o envenenar.

Esquema do jejum e das monodietas em naturopatia

Conto essa história frequentemente em consulta. Não para encorajar alguém a jejuar cinco dias sem acompanhamento. Mas porque ela ilustra um princípio fundamental que a naturopatia carrega desde suas origens: a doença crônica não é uma fatalidade, é o sintoma de um organismo entupido que não consegue mais se auto-limpar. E o jejum, em todas as suas formas, é a ferramenta mais antiga e mais poderosa de que dispõe o higienista para relançar essa capacidade de auto-limpeza.

« Não mate os mosquitos, seque o pântano. » Pierre-Valentin Marchesseau

Hoje em dia, todos falam em jejum. As redes sociais estão repletas de coaches que vendem “fasting” como um método emagrecedor, de gurus que prometem curas milagrosas, de influenciadores que jejuam sete dias filmando seu desespero para ganhar seguidores. O problema é que ninguém explica o porquê. Ninguém fala de terreno. Ninguém avalia a vitalidade antes de prescrever a restrição. E ninguém faz a distinção entre um organismo capaz de jejuar e um organismo que o jejum vai acabar. É exatamente essa confusão que quero dissipar aqui, porque o jejum bem conduzido é um ato terapêutico de potência rara, e o jejum mal conduzido é uma violência cometida contra o corpo.

Uma tradição milenar que a ciência alcança

O jejum não é uma moda. É a ferramenta terapêutica mais antiga da humanidade. Hipócrates, pai da medicina ocidental, prescrevia jejum aos seus pacientes há 2.500 anos. “Se alimentas um doente, alimentas sua doença”, ensinava. Essa intuição clínica, transmitida de geração em geração, encontra-se em todas as tradições médicas e espirituais do mundo. O Ramadã muçulmano, a Quaresma cristã, o Yom Kippur judaico, os jejuns do budismo e do hinduísmo não são exercícios de mortificação arbitrários. São práticas de higiene interna codificadas por milênios de observação empírica.

A naturopatia europeia herdou essa sabedoria. Carton a redescobriu pela experiência pessoal. Shelton, nos Estados Unidos, supervisionou dezenas de milhares de jejuns em sua clínica no Texas entre 1928 e 1978. Marchesseau codificou o jejum como a ferramenta central da cura de desintoxicação, a primeira das três curas da naturopatia ortodoxa. E em 2016, a ciência finalmente alcançou o que os higienistas sabiam desde sempre: o biólogo japonês Yoshinori Ohsumi recebeu o prêmio Nobel de medicina por ter descrito os mecanismos da autofagia, esse processo pelo qual a célula, em situação de privação nutricional, digere seus próprios componentes danificados para reciclá-los em novos materiais. O jejum ativa a autofagia. A célula faz limpeza. O que Marchesseau chamava de “desintoxicação humoral”, Ohsumi fotografou ao microscópio eletrônico.

É a convergência da tradição e da ciência. E é essa convergência que torna o jejum tão fascinante, porque não se trata de crer ou não crer. Trata-se de compreender um mecanismo biológico fundamental: quando cessas de comer, o corpo não para. Ele se reconfigura. Passa de um modo de construção (anabolismo) a um modo de limpeza (catabolismo controlado). E é nessa limpeza que reside toda a potência terapêutica do jejum.

O jejum hídrico: o rei das curas

O jejum hídrico consiste em não consumir nenhum alimento sólido nem líquido calórico durante um período determinado. Apenas água pura e chás de ervas sem açúcar são permitidos. É a forma mais pura e mais poderosa de jejum, aquela que Shelton qualificava de “repouso fisiológico integral”.

Quando a ingestão alimentar cessa, o corpo esgota primeiramente suas reservas de glicogênio hepático e muscular em doze a vinte e quatro horas. Ultrapassado esse limite, a neoglicogênese assume: o fígado fabrica glicose a partir de aminoácidos e glicerol. Depois, na medida em que o jejum se prolonga, o organismo passa progressivamente para a cetogênese. O fígado transforma os ácidos graxos liberados pelo tecido adiposo em corpos cetônicos (acetoacetato, beta-hidroxibutirato, acetona), que se tornam o combustível principal do cérebro, coração e músculos. É uma mudança metabólica importante, comparável à passagem de um motor a gasolina para um motor diesel. O corpo muda de combustível e, ao fazer isso, consome suas reservas de gordura ao mesmo tempo que poupa ao máximo suas proteínas musculares.

A autofagia se ativa plenamente após 18 a 24 horas de jejum. As células começam a digerir suas organelas danificadas, suas proteínas mal enoveladas, suas mitocôndrias deficientes, para reciclá-las em aminoácidos e componentes reutilizáveis. É uma limpeza intracelular de sofisticação extraordinária. As células cancerígenas, que dependem maciçamente da glicose (efeito Warburg), são particularmente vulneráveis em estado de jejum. As células saudáveis, elas, se adaptam. É o que se chama resistência diferencial ao estresse, um conceito que Valter Longo, biogeroentólogo na Universidade da Califórnia do Sul, documentou brilhantemente em seus trabalhos sobre jejum e longevidade.

Na prática, o jejum hídrico se apresenta em várias durações, e é a duração que determina a intensidade do efeito. Um jejum de 24 horas, do jantar ao jantar do dia seguinte, é acessível à maioria dos adultos em boa saúde. Ativa os primeiros mecanismos de autofagia, coloca o sistema digestivo em repouso completo, e permite ao organismo dedicar sua energia ao reparo em vez da digestão. Lembre-se que a digestão de uma refeição completa mobiliza cerca de 30% da energia total do organismo. Quando essa energia é liberada, o corpo a utiliza para outra coisa. Um jejum de 48 horas aprofunda a autofagia e acelera a lipólise. Além de 72 horas, os efeitos na regeneração de células-tronco e no sistema imunológico se tornam significativos, como demonstraram os trabalhos de Longo. Mas além de 48 horas, o acompanhamento profissional é indispensável. É uma regra absoluta, não uma sugestão.

A água é a chave. Durante o jejum, os rins trabalham em plena capacidade para eliminar resíduos metabólicos recolocados em circulação. É preciso beber abundantemente, entre 1,5 e 2,5 litros por dia, de água pouco mineralizada, a temperatura ambiente ou morna. Os chás de ervas de alecrim (colererético), de tomilho (antisséptico intestinal) e de hortelã (antiespasmódico) apoiam o trabalho hepático e digestivo sem fornecer calorias. Nada de sucos, nada de caldo, nada de café. O café, ao estimular o cortisol e a insulina, sabota parte dos benefícios metabólicos do jejum.

O jejum intermitente: a ferramenta do cotidiano

Se o jejum hídrico prolongado é o bisturi do cirurgião, o jejum intermitente é o canivete suíço do naturopata. É a forma mais suave, mais acessível e mais praticável no dia a dia. O protocolo mais comum é o 16/8: dezesseis horas de jejum, oito horas de janela alimentar. Na prática, isso equivale a pular o café da manhã (última refeição às 20h, primeira refeição às 12h) ou a pular o jantar (última refeição às 14h, primeira refeição no dia seguinte às 6h). Os dois funcionam. A escolha depende do teu ritmo de vida e de tua cronobiologia.

Os benefícios do jejum intermitente são documentados por uma literatura científica abundante. Melhoria da sensibilidade à insulina, redução de marcadores inflamatórios (PCR, IL-6, TNF-alfa), estimulação moderada da autofagia, melhoria do perfil lipídico, perda de massa gorda sem perda de massa muscular quando a ingestão proteica é suficiente durante a janela alimentar. O Dr. Jason Fung, nefrologista canadense, popularizou essa abordagem em The Obesity Code, demonstrando que a resistência à insulina, flagelo metabólico de nossa época, responde melhor à modulação da frequência das refeições do que à simples restrição calórica.

Mas há uma armadilha que vejo constantemente em consulta. As mulheres com fragilidade tireoidiana devem ser particularmente cautelosas com o jejum intermitente. A conversão da T4 inativa em T3 ativa depende do status nutricional, e especialmente da ingestão de selênio, zinco e calorias. Um jejum muito rigoroso, muito frequente, ou mal conduzido em uma mulher já em hipotireoidismo leve, pode aumentar a produção de T3 reversa (a forma inativa de T3 que bloqueia os receptores) e agravar os sintomas: fadiga, sensibilidade ao frio, constipação, ganho de peso. É paradoxal: a pessoa jejua para “se desintoxicar” e se vê mais entupida do que antes, porque seu metabolismo basal desabou.

A regra que aplico em consulta é clara. O jejum intermitente 16/8 convém às pessoas cuja vitalidade é adequada, cuja tireóide funciona bem, e cujas glândulas suprarrenais não estão esgotadas. Para os outros, sempre começo pela monodieta. Sempre. Porque a monodieta não corta a ingestão calórica, ela a simplifica. E essa nuance muda tudo.

As monodieatas: a doçura que desintoxica

A monodieta consiste em consumir apenas um alimento durante um ou vários dias. É a alternativa suave ao jejum, aquela que Marchesseau prescrevia sistematicamente às constituições frágeis, às pessoas cansadas, aos neuro-artríticos frios cuja vitalidade não permitia um jejum hídrico completo. É também, a meu ver, a ferramenta mais subestimada da naturopatia contemporânea, porque é simples, pouco custosa, sem risco quando bem escolhida, e de eficácia notável.

O princípio é cristalino. Ao consumir apenas um alimento, colocas em repouso grande parte do sistema digestivo. As enzimas pancreáticas, biliares e gástricas são solicitadas apenas para um único tipo de substrato. A energia economizada por essa simplificação digestiva é redirecionada para as funções de eliminação e reparo. Não é um jejum, mas é um semi-repouso digestivo que permite ao corpo “fazer limpeza” sem a agressão metabólica de uma privação total.

A monodieta de maçã cozida é a rainha das monodieatas para o terreno neuro-artrítico. Marchesseau a prescrevia em primeira intenção para pessoas frias, nervosas, desmineralizadas, em acidose tecidual. A maçã cozida é alcalinizante, rica em pectina (que fixa metais pesados e toxinas no tubo digestivo para evacuá-los nas fezes), suave para intestinos irritados, e quente, o que é essencial para os frios. Prepara-se simplesmente: maçãs orgânicas, cortadas em gomos, cozidas ao vapor leve ou ao forno em baixa temperatura com um pouco de canela. À vontade, durante todo o dia, um a dois dias por semana. A pectina da maçã cozida tem efeito prebiótico comprovado: alimenta as bifidobactérias do cólon e favorece a produção de butirato, esse ácido graxo de cadeia curta que é o combustível preferido das células da mucosa colônica.

A monodieta de uva, popularizada pela cura uvética de Johanna Brandt, é mais poderosa e mais drenante. A uva é rica em polifenóis (resveratrol, quercetina), em potássio (diurético natural), em açúcares rapidamente assimiláveis que apoiam a energia durante a cura, e em ácidos orgânicos que estimulam o peristaltismo. É a monodieta de escolha para o terreno sanguíneo-pletórico: a pessoa congestiva, avermelhada, em sobrecarga coloidal, que precisa de drenagem profunda. A uva “lava” os líquidos humorais, como diziam os antigos. Pratica-se de preferência em setembro e outubro, quando a uva está em estação, fresca, madura, impregnada de sol. Fora da estação, não faz sentido nenhum. Marchesseau insistia: a monodieta respeita o ritmo das estações, porque os alimentos de estação são aqueles que a natureza previu para as necessidades do organismo naquele momento específico do ano.

A monodieta de arroz é aquela que prescrevo aos intestinos mais frágeis. O arroz semi-integral ou integral, cozido em água, sem sal, sem gordura, é o alimento mais suave para a mucosa intestinal. Fornece carboidratos complexos que apoiam a energia sem estimular a insulina de forma brusca, vitaminas do grupo B (se o arroz for integral ou semi-integral), e fibras solúveis calmantes. É a monodieta de escolha após uma gastroenterite, durante um surto inflamatório intestinal, ou para pessoas que sofrem de disbiose com inchaço e dores abdominais. O arroz também é um dos poucos alimentos a ser quase universalmente tolerado, o que o torna uma excelente primeira opção para iniciantes.

A sopa de legumes é a monodieta universal, aquela que convém a todos os terrenos em primeira intenção. Alho-poró, cenoura, abobrinha, aipo, nabo, cozidos em água, peneirados ou não, consumidos quentes, três a quatro tigelas por dia. É remineralizante, alcalinizante, hidratante, reconfortante. É a monodieta que prescrevo no inverno, quando o cru é mal tolerado, quando o terreno é frágil, quando a pessoa precisa de calor e suavidade. E é a porta de entrada ideal para alguém que nunca fez uma monodieta em sua vida.

Finalmente, há os jantares celulosicos, que considero uma micro-monodieta cotidiana. O princípio é simples: substituir o jantar clássico por um prato de legumes verdes no vapor, sem proteína animal, sem fécula, sem gordura adicionada. Brócolis, vagens, espinafre, abobrinha, aspargos, alcachofras. A celulose desses legumes varre mecanicamente as paredes do cólon, as fibras solúveis alimentam o microbiota, e a ausência de proteínas no jantar facilita o trabalho hepático noturno. É uma ferramenta simples, cotidiana, que não demanda nenhum esforço particular e que, a longo prazo, modifica profundamente o terreno humoral.

A crise curativa: quando o corpo se limpa

É o momento que assusta, aquele que leva muitas pessoas a parar cedo demais. Após 24 a 48 horas de jejum ou monodieta, às vezes o estado geral se degrada temporariamente. Dores de cabeça. Náuseas. Fadiga intensa. Língua coberta por uma camada branca ou amarelada. Hálito forte, metálico. Urina escura e odorosa. Às vezes erupções cutâneas, dores articulares passageiras, calafrios, uma irritabilidade incomum. É a crise curativa, o que a naturopatia chama de crise de eliminação.

« É preciso abrir as vias de eliminação antes de desalojar as toxinas. » Alexandre Salmanoff

O que acontece é bem simples de compreender. O jejum estimula o catabolismo e a lipólise. As toxinas lipossolúveis armazenadas no tecido adiposo (pesticidas, metais pesados, perturbadores endócrinos, medicamentos) são recolocadas em circulação no sangue. As vias de eliminação, o fígado, os rins, a pele, os pulmões, os intestinos, são solicitados para eliminar essa carga tóxica súbita. Quando a carga ultrapassa a capacidade de eliminação, as toxinas circulam no sangue e provocam os sintomas que acabei de descrever. É temporário. É normal. E é até um bom sinal, na medida em que significa que o corpo está se limpando.

Mas atenção à nuance entre uma crise curativa normal e um sinal de alarme. Uma crise curativa dura geralmente 24 a 72 horas, os sintomas são desagradáveis mas toleráveis, e são seguidos de uma melhoria nítida do estado geral. Tonturas violentas, palpitações cardíacas, confusão mental, vômitos incontroláveis ou fraqueza extrema não são crise curativa. É um sinal de que o jejum é muito intenso para a vitalidade disponível, e que é preciso romper o jejum imediatamente com um alimento suave (compota de maçã, caldo de legumes, arroz branco bem cozido).

Salmanoff tinha uma expressão que adotei como minha: abrir as saídas antes de desalojar as toxinas. Isso significa que antes de empreender um jejum, garante-se que as vias de eliminação funcionem corretamente. O fígado está drenando bem? Os rins filtram? Os intestinos evacuam? A pele transpira? Se a resposta for não para uma dessas questões, é preciso primeiro trabalhar as vias de eliminação com fitoenteerapia, hidroterapia e exercício físico, antes de se lançar em um jejum que vai desalojar toxinas que o corpo não poderá eliminar. É toda a diferença entre um jejum terapêutico e um jejum tóxico.

Os erros que transformam o jejum em catástrofe

O primeiro erro, e o mais perigoso, é jejuar quando não se tem a vitalidade. A vitalidade, em naturopatia, é a energia disponível para as funções de auto-cura. Um organismo esgotado, com glândulas suprarrenais vazias, cortisol aplainado, uma tireóide que gira em câmera lenta, não tem a energia necessária para levar a bom termo o processo de desintoxicação. O jejum, nesse caso, não desintoxica. Ele catalisa. Consome as últimas reservas do corpo, devora o músculo, destrói a massa magra, agrava o esgotamento surrena diano. Já vi pacientes chegarem em consulta após um jejum de sete dias feito “autonomamente” em casa, num estado de esgotamento que eu teria qualificado como pré-hospitalar. Isso não é jejum. É auto-mutilação metabólica.

Robert Masson, grande naturopata contemporâneo de Marchesseau, consagrou parte de sua obra a alertar contra o excesso de restrição. Quando a refeição carece de carboidratos, o glucagon catabólico se ativa, recordava ele. O glucagon, hormônio secretado pelo pâncreas em resposta à queda de glicemia, desencadeia a neoglicogênese hepática. Se o jejum se prolonga além das capacidades de adaptação do sujeito, o glucagon catalisa as proteínas musculares para fabricar glicose. É o depauperamento muscular, a sarcopenia do jejuador imprudente. Masson não condenava o jejum. Condenava o jejum indiscriminado, aplicado sem avaliação de vitalidade, sem avaliação do terreno, sem adaptação individual.

O segundo erro é não adaptar o tipo de restrição ao temperamento. Marchesseau distinguia quatro grandes temperamentos, e cada um não responde da mesma forma à restrição alimentar. O sanguíneo-pletórico, congestionado, vermelho, em sobrecarga coloidal, suporta e se beneficia do jejum hídrico, às vezes até do jejum seco de curta duração. O neuro-artrítico, frio, magro, ácido, nunca deve jejuar no sentido estrito. Sua toxemia é cristalóide, ácida, e o jejum hídrico corre risco de acidificá-lo ainda mais. A monodieta de maçã cozida quente, alcalinizante e suave, é sua ferramenta. Ignorar o temperamento é prescrever a ferramenta errada ao paciente errado.

O terceiro erro é a retomada alimentar precipitada. A ruptura do jejum é um momento tão delicado quanto o próprio jejum. Após 24, 48 ou 72 horas de repouso digestivo, o tubo digestivo está em desaceleração. As secreções enzimáticas estão reduzidas, o peristaltismo está calmo, a mucosa está em fase de regeneração. Se rompes o jejum com um bife com batatas fritas, uma pizza ou mesmo uma refeição “saudável” mas farta e variada, corres risco de provocar um grande sofrimento digestivo: cólicas, inchaço, diarreia, náuseas. A retomada deve ser progressiva. Primeira refeição: uma fruta suave (maçã cozida, banana madura) ou um caldo de legumes. Segunda refeição, algumas horas depois: legumes cozidos ao vapor suave e um pouco de arroz. A volta à alimentação normal se faz em um a três dias, proporcionalmente à duração do jejum.

O quarto erro, mais sutil, é jejuar pelas razões erradas. O jejum não é uma dieta. Não é uma ferramenta de perda de peso, mesmo que a perda de peso seja frequentemente um efeito colateral. É um ato terapêutico de limpeza interna. As pessoas que jejuam em lógica de controle ponderal, de restrição calórica crônica, de punição corporal, estão em terreno perigoso. O jejum em uma pessoa sofrendo de transtornos alimentares pode desencadear ou agravar anorexia, bulimia, um ciclo restrição-compulsão. O naturopata deve avaliar a relação do paciente com a alimentação antes de prescrever qualquer forma de restrição. É uma responsabilidade que muitos praticantes negligenciam.

O que teu terreno diz: adaptar a restrição à tua constituição

Em naturopatia, não existe protocolo universal. A mesma ferramenta produz efeitos opostos dependendo do terreno em que é aplicada. É por isso que o balanço de vitalidade é um pré-requisito inegociável para qualquer prática de jejum ou monodieta.

Em consulta, avalio três parâmetros antes de prescrever uma restrição alimentar. A vitalidade disponível, em primeiro lugar: um organismo em estágio 1 de Selye (alarme), com PCR baixa, cortisol matinal correto e boa força nervosa, pode jejuar. Um organismo em estágio 3 (esgotamento), com cortisol aplainado, fadiga permanente e sono não recuperador, não jejua. Ele se revitaliza primeiro. O temperamento depois: sanguíneo-pletórico, neuro-artrítico, bilioso, linfático, cada um tem suas ferramentas preferenciais. A toxemia enfim: coloidal (sobrecargas de muco, gorduras, colesterol) ou cristalóide (sobrecargas ácidas, cristais de ácido úrico, ácido oxálico, ácido pirúvico). O jejum hídrico drena as colas. A monodieta alcalinizante neutraliza os cristais. Confundir os dois é prescrever um laxante a um constipado que na realidade sofre de espasmos. A ferramenta é boa, mas o diagnóstico é falso.

Advertência

O jejum e as monodieatas são contra-indicados na mulher grávida ou amamentando, na criança e adolescente em crescimento, na pessoa diabética em uso de insulina, em pessoas sofrendo de transtornos alimentares (anorexia, bulimia), em pessoas com insuficiência renal ou hepática avançada, e em qualquer pessoa sob medicação pesada sem aviso médico. Além de 48 horas de jejum hídrico, o acompanhamento por um profissional qualificado é obrigatório. Não é paternalismo, é cautela clínica.

A naturopatia acompanha. Ela não substitui o diagnóstico médico nem o acompanhamento do teu médico assistente.

O que o jejum ensina

Há algo que os livros de fisiologia não contam, e que apenas o jejuador compreende. Quando cestas de comer por 24 horas, não perdes apenas peso ou toxinas. Ganhas algo bem mais precioso: uma relação diferente com a fome, a carência, o vazio. Descobres que a fome não é uma urgência. Descobres que teu corpo é mais resistente do que acreditas. Descobres o silêncio digestivo, essa sensação de leveza interior que a digestão permanente nos rouba.

« O corpo tem em si as capacidades de se curar. Basta dar-lhe os meios. » Hipócrates

Marchesseau ensinava que o jejum curto (24 horas, uma vez por semana) é uma das melhores ferramentas de prevenção a longo prazo. Um dia por semana, dás ao teu corpo a oportunidade de fazer a limpeza que a digestão permanente nunca lhe deixa tempo de fazer. Não é uma punição. É um presente. E sei do que falo, porque é uma prática que aplico há anos, e os resultados no meu próprio terreno me convenceram bem antes de os estudos científicos confirmarem.

Se queres ir mais longe, os artigos sobre detox de primavera, tireóide e micronutrição, esgotamento surrena diano e constipação crônica complementam o quadro.

Sediado em Paris, faço consultas por videochamada em toda a França. Podes marcar consulta para um acompanhamento personalizado.

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Para ir mais longe

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Toda semana, uma aula de naturopatia, uma receita de suco e reflexões sobre o terreno.

Perguntas frequentes

01 Qual é a diferença entre jejum e monodieta?

O jejum consiste em não consumir nenhum alimento sólido durante um período determinado (apenas água ou chás de ervas são permitidos). A monodieta consiste em comer apenas um único alimento durante um ou vários dias (maçã cozida, uva, arroz, sopa de legumes). O jejum é mais poderoso em termos de desintoxicação, mas exige mais vitalidade. A monodieta é mais suave e convém às pessoas cansadas ou iniciantes.

02 Por quanto tempo é possível jejuar sem perigo?

Um jejum intermitente de 16 horas (pular o café da manhã ou a janta) pode ser praticado diariamente. Um jejum hídrico de 24 horas é acessível à maioria dos adultos em boa saúde, uma vez por semana. Além de 48 horas, um acompanhamento profissional é indispensável. O naturopata avalia a vitalidade disponível: nunca se jejua um organismo esgotado. Marchesseau insistia: a capacidade de jejuar depende das reservas vitais.

03 Qual monodieta escolher de acordo com seu temperamento?

Para o neuro-artrrítico (friorento, nervoso, ácido), Marchesseau recomendava a monodieta de maçã cozida quente, suave e alcalinizante. Para o sanguíneo-pletórico (congestivo, vermelho, sobrecargas coloidais), um jejum hídrico supervisionado ou uma monodieta de uva é mais adequada. A monodieta de arroz convém aos intestinos irritados. A sopa de legumes é universal e convém a todas as constituições em primeira intenção.

04 O jejum intermitente é bom para a tireoide?

O jejum intermitente moderado (16/8) pode ser benéfico reduzindo a inflamação e melhorando a sensibilidade à insulina. Em contrapartida, um jejum prolongado pode desacelerar a conversão de T4 em T3 e aumentar a T3 reversa em pessoas já hipotireoideas. As mulheres com fragilidade tireoidiana devem ser particularmente prudentes e privilegiar as monodietas suaves em lugar dos jejuns rigorosos.

05 Quais são os sinais de uma crise curativa durante um jejum?

A crise curativa (ou crise de eliminação) pode se manifestar por dores de cabeça, náuseas, fadiga aumentada, língua muito carregada, hálito forte, erupções cutâneas, urinas escurecidas ou dores articulares transitórias. Estes sinais indicam que o organismo está eliminando suas sobrecargas. Duram geralmente 24 a 72 horas. Se os sintomas são violentos, é porque a desintoxicação é muito rápida em relação à vitalidade disponível.

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